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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Botticellis no meu ouvido

[Foto:PR]
A praça nossa senhora da paz continua a mesma. Aos sábados e domingos de sol escavamos para ter um pouco mais de fé e terra nas unhas. Parecem três marioscas à espera de um godot, enquanto passa. Virão novos sábados de sol e de fé com novas escavações. Hajam dedos. Agora sim, num cantinho norte tenho esse stay with my brother no ouvido.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Gótico: Life less ordinary? Beck no meu ouvido.


"on a highway unpaved
goin' my way
you're so alone today
like a ghost town I've found
there's no relief
no soul
no mercy

is it true what they say
you can't behave
you gamble your soul away
measuring a jinx of this life seems like the gristle of loneliness
don't let the sun catch you cryin'
don't let the sun catch you cryin'

like an ice age
nice days on your way
sipping the golden days
on a riptide
freak's ride
sleep inside
a parasite's appetite

oh say can't you see
the chemistry
the parasites that clean up for me
death never hails
recycled cans
get well cards
to the hostage vans
don't let the sun catch you cryin'
don't let the sun catch you cryin'

you're a deadweight
right straight
on your way
sunk in the midnight shade
skys burn
eyes turn
learning to counterfeit their disease
in this town where we roam
we bluff our souls
on canteen patio
drink the latest draft
the music drags
don't let the sun catch you cryin'
don't let the sun catch you cryin' " Beck sempre

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

António Variações Sempre Aqui.



Esta música de António Variações é tudo. É pelo poema, é pelas palavras, é pela música é pelas imagens saborosas que a música sugere, pelos odores que lembram o outro lado do mediterrâneo. Amo demais os deste lado mas não posso tirar os 20 anos que vivi como um fóssil na terra. É como se lembrasse aqueles antigos que sabem apenas pelo soprar do vento como vai ser o dia de amanhã. Aquela visão deitada do circulo verde que rodeia o nosso mundinho - quando estamos deitados no meio da erva é só o que se vê por lá circulando um céu também circular como uma gema e profundo.
Ei-la a música que acabo de "re-play"10 vezes e poderia ouvir outras 10 e depois outras 10 e assim por diante...

"Só eu sei que sou terra

Terra agreste por lavrar
Silvestre monte maninho
Amora fruto sem tratar

Só eu sei que sou pedra
Sou pedra dura de talhar
Sou joga pedrada em aro
Calhau sem forma de engastar

A interpretação é o que quiserem dar
Não tenho jeito p'ra regatear
Também não sei se eu a quero aumentar
Porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, deste animal

Também não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, que anda a procurar

Só eu sei que sou erva
Erva daninha alastrar
Joio trovisco ameaça
Nas ervas doces de enjoar

Só eu sei que sou barro
Difícil de se moldar
Argila com cimento e saibro
Nem qualquer sabe trabalhar

Em moldes feitos não me sei criar
Em formas feitas podem-se quebrar
Também não sei se me quero formar
Porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, deste animal

Também não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, que anda a procurar"

Para ouvir "erva daninha" é só seguir o link:
http://www.youtube.com/watch?v=iT7XOrNsEJU&feature=player_embedded

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Medo - the scared song


Como é designado o medo?: "O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo.

O medo pode provocar reações físicas como descarga de adrenalina, aceleração cardíaca e tremor. Pode provocar atenção exagerada a tudo que ocorre ao redor, depressão, pânico etc.
Medo é uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.
A resposta anterior ao medo é conhecida por ansiedade. Na ansiedade o indivíduo teme antecipadamente o encontro com a situação ou objeto que lhe causa medo. Sendo assim, é possível se traçar uma escala de graus de medo, no qual, o máximo seria o pavor e, o mínimo, uma leve ansiedade.
O medo pode se transformar em uma doença (a Fobia) quando passa a comprometer as relações sociais e a causar sofrimento psíquico. A técnica mais utilizada pelos psicólogos para tratar o medo se chama Dessensibilização Sistemática. Com ela se constrói uma escala de medo, da leve ansiedade até o pavor, e, progressivamente, o paciente vai sendo encorajado a enfrentar o medo. Ao fazer isso o paciente passa, gradativamente, por um processo de restruturação cognitiva em que ocorre uma re-aprendizagem, ou ressignificação, da reação que anteriormente gerava a resposta de alerta no organismo para uma reação mais equilibrada." Isto segundo a Wikipedia.
No site Vila Equilibrio explica-se assim:"Todos sabemos que o medo é uma reação protetora e saudável do ser humano. O medo "normal" vem de estímulos reais de ameaça à vida. A cada situação nova, inesperada, que representa um perigo, surge o medo. Mas e quando tudo tem causado medo e não conseguimos agir?"
Para mim o pior medo e o que pode atacar sem ser detetado é o medo de nós mesmos. O medo nos trava, nos congela de forma a não arriscarmos. Arriscar como fazíamos quando eramos adolescentes e só havia na nossa cabeça uma opção na vida: arriscar sempre e sem dó, mesmo sabendo das consequencias de nossos atos pueris.
Quando amadurecemos o "arriscar" torna-se, por um lado, algo calculado (meticulosamente programado), por outro, algo ao qual não conseguimos escapar...simplesmente acontece! Arriscamos porque já temos bagagem para isso e nada nos pode parar. Mas se deixarmos que algo nos pare, esse algo será devastador.
Muitos fatores nos levam a ter medo de agir, é necessário afastar esse medo e seguir em frente porque temos de nos lembrar, temos de escrever em cartazes e espalhar pela casa toda: sou capaz.
Vivemos na nossa ilha: nosso paíz, nossa rua, nossa casa, nossa família e os laços e entrelaços com outras pessoas.
Desde que cheguei nessa ilha que sinto algo acontecer: se no início me sentia dona dela mas não me sentia livre, nesse momento me sinto em casa e me sinto dona do mundo. Quem ler esse texto pode pensar que divago muito mas são só metáforas para poder me expressar sem correr riscos: algo que a idade me ensinou.
Mas o medo é como uma música que odiamos e que não sai do nosso ouvido. No mês de Agosto não escrevi, nem postei coisa nenhuma do meu agrado, refugiei-me na minha concha. Fiz muitas coisas: fiz planos, pesquisei, refleti e tracei centenas de caminhos a percorrer a nível profissional e pressoal. Foi produtivo mas o medo me consumiu, esse medo do tempo, das pessoas, de possuir ou não possuir alguma coisa, de desejar, de mim mesma. Enfim, uma espécie de crise da idade adulta.
Às vezes parece tudo difícil e nós próprios temos de cair na realidade e descobrir que somos capazes de resolver seja o que for. É preciso ter ideias firmes e esquecer a sociedade que pode julgar.Aliás se pensarmos no julgar já nos estamos a julgar antes dos outros o fazerem.E é vital.
Eis uma sas melhores músicas de sempre: Scared Song da Meredith Monk que pode ser ouvida no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=mFMEfWCDXmQ

Eu ouvia-a quando eu tinha uns 13 ou 14 anos, ainda adoro! Principalmente porque marcou uma época de decisões importantes e o início do "Teatro Físico" no meu planeta. Foi uma amiga que me apresentou Meredith Monk.Se o medo fosse como a "música do medo" da Meredith Monk, seria o paraíso nos nossos ouvidos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Yma Sumac


Yma Sumac nasceu em 13 de setembro de 1922 , em Cajamarca, Peru, como Zoila Augusta Empératriz Chávarri del Catillo. Ela adaptou o nome Imma Sumac na América do Sul, antes de ir aos EUA. Tal nome foi baseado no nome de sua mãe, que derivava de Ima Shumaq, que significava "linda flor", e até mesmo "linda garota", como declarou em algumas de suas entrevistas.Yma Sumac possuia um enorme alcance vocal que ia acima de 4 oitavas. Na gravação de sua canção Chuncho, ela bate sua nota mais baixa, Bb2, e sua nota mais alta, C#7, possuindo 4,2 oitavas.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Totó la Monposina


Totó la Momposina é uma cantora columbiana, que mistura os ritmos tradicionais dos índios sul-americanos com a música afro-latina.Totó nasceu numa família de músicos por várias gerações, numa ilha ao norte do país, chamada Santa Cruz de Mompox, de onde lhe vem a alcunha. Seu pai era um humilde sapateiro, e sua mãe iniciou-a nos ritmos indígenas;
Formada em História da Arte e da Música pela Sorbonne, começou em França sua carreira musical internacional, sendo mais conhecida no estrangeiro que no seu próprio país. Da imprensa e dos admiradores recebeu a alcunha de "A Diva Descalça" - por jamais usar calçados nos palcos.
Seu grande salto para a fama deu-se em Estocolmo, no ano de 1982, quando apresentou-se durante a cerimônia de entrega do Prémio Nobel de Literatura, concedido naquele ao escritor colombiano Gabriel García Márquez.
Em 2003 ela realizou, nos estúdios do cantor norte-americano Peter Gabriel, um álbum chamado La Candela Viva, que foi indicado para o Grammy.
A cantora explica seu apelido "Totó", da seguinte forma:
"Totó es un nombre que me puso mi mamá desde pequeña, y además es un nombre sonoro que a nadie se le olvida". (numa tradução livre: Totó é um nome que minha mãe me colocou quando eu era pequena e, além disso, é um nome sonoro que ninguém esquece.) Tanto o nome como a voz energica. Um ótimo som para um dia chuvoso!

domingo, 20 de abril de 2008

Lhasa - À procura de algum sentimentalismo.

Vivemos num Mundo muito às pressas, é difícil pensar, raciocinar....é impossível emocionarmo-nos naturalmente. Tem de vir bater-nos à porta (ao nosso conhecimento) alguma tragédia para que nos sintamos com os pés no chão. "We float" por entre as núvens de um limbo sem sentimentos. Friamente.

Quando damos conta, é mecânico, nós não queremos isso...queremos viver de emoções fortemente positivas e executar tudo fervendo. E a um pulsar do nosso ritmo cardíaco, a uma batida do nosso coração resolvemos algo que ruminávamos há semanas a fio...

Eis uma batida sonora que explode com os sentidos. Lhasa é um praser de ouvir. LR

"Con toda palabra, Con toda sonrisa

Con toda mirada, Con toda caricia

Me acerco al agua, Bebiendo tu beso

La luz de tu cara, La luz de tu cuerpo

Es ruego el quererte, Es canto de mudo

Mirada de ciego, Secreto desnudo

Me entrego a tus brazos, Con miedo y con calma

Y un ruego en la boca, Y un ruego en el alma."

"“La Llorona” é um álbum vindo directamente do México que a cantora conheceu da infância. Do seu aspecto franzino e frágil irrompem sentimentos fortíssimos, crónicas de amor cru, de desgosto que inflama as entranhas, de calor abrasador, de almas crentes. Impressiona a sinceridade, a entrega de uma mulher que parou depois do êxito de “La Llorona” para se juntar às irmãs no Cirque du Soleil. Em “La Llorona”, Lhasa solta lágrimas quentes, murmura com doçura “Te quiero amar/Te quiero amar”. E reza, reza.. ao som das cordas e da água, gotas que a terra absorve como se fossem as últimas a cair do céu, sedenta, ressequida pelo sol ou pelos cascos de cavalos em contínuo galope. O som de Lhasa soa a fado. Os instrumentos são imensos, mesclados de forma harmoniosa, imbricados em camadas finas e delicadas de música romântica, daquele romantismo passional que motiva ciúme e paixão, que motiva sangue e fogo. Como um rendilhado feito de poeira e cheiro a terra seca, a guitarra acústica é dedilhada de forma discreta, acompanhada de cordas doces e lamentosas, doridas. Os coros, quando os há, são fantasmagóricos, como uma miragem que surge por momentos no deserto (como em “De Cara a la Parede”). A voz de Lhasa é sofrida, frágil, quente, ora chorando ora rompendo o silêncio com firmeza, cavalgando a aspereza e rudeza do amor carnal. Por vezes, as cordas transportam-nos para a Irlanda, para os Estados Unidos ou para a Turquia, tais são as suas variações e riqueza. E depois o deserto… o deserto colmata todas as faltas e serve de santuário, de confessor. É aí que Lhasa expia as marcas, a dor de um amor que já acabou. Em “El Desierto”, surge uma das mais belas ideias do álbum, pura poesia, inspiradora. “Porque el alma prende fuego cuando deja de amar”…. É impossível não nos emocionarmos a ouvir as palavras e o sentimento intenso que Lhasa passa na sua voz. Mas a cantora também envereda pelas doces baladas, indelevelmente marcadas pelas tradições musicais mexicanas. Parece até que esta influência, tão enraizada em Lhasa, se começa agora a desvanecer um pouco mais, em “The Living Road”. Em “Por Eso me Quedo” quase a imaginamos sentada à soleira de uma porta aberta, suportando o calor abrasador do deserto, acompanhada de um guitarrista de pele queimada pelo sol, cantando para os seres solitários que procuram um lugar para expurgarem a alma. Lhasa vai muito para além da musicalidade de raízes mexicanas, a própria lírica está eivada de influências ao nível do imaginário. Isso está bem visível em “De Cara a la Pared” e no magnífico “Los Peces”, este último tema dos mais eléctricos em concerto. É fantástico e precisamente aqui podemos ouvir um excerto muito próximo da música dos Madredeus. É apenas um pequeno aparte até porque a música, um tradicional mexicano, é muito mais que isso, é uma paleta imensa de instrumentos, o clarinete flutua como um louco, quase sem direcção, o acordeão junta-se mais para o final para ajudar à apoteose explosiva do tema, o ritmo acelerado até não mais e a música termina como fanfarra. Em “La Llorona”, Lhasa voa, voa como “El Pájaro”, um voo em direcção ao abismo, rodopia sobre ele, sem cair, sentindo o vento e o perigo com intensidade… “Pajarillo, tú me condenaste/ A un amor sin final”. Um amor sem fim, como um abismo. É um tema maravilhoso, a voz de Lhasa assume contornos de desespero, de entrega profunda, como em nenhum outro tema. É dos mais belos de “La Llorona”. Uma entrega quente de uma alma fogosa, cheia de paixão, de sofrimento, de desgosto e força. Esta é, pelo menos, a personagem que Lhasa constrói em cada uma das letras que escreve. Como que sempre com o coração nas mãos, Lhasa encarna o espírito, os sentimentos de outrora, como já não se sente hoje… “No, ya no se canta/ «Sin tu amor me moriré»” (“Mi Vanidad”)."