quinta-feira, 27 de maio de 2010

"O Bebê e o Mar"

A estréia de "O Bebê e o Mar" superou as minhas expectativas, a equipe conseguiu dar conta desse novo desafio de re-estrear um espetáculo com moldes diferentes da montagem inicial e que mudasse um pouco o caminho traçado pel`"O Cirquinho de Luísa". Suprimimos algumas passagens e criámos novas dimensões textuais e coreográficas. Nossos apoiadores nos cederam bons materiais de trabalho para podermos oferecer ao novo público, a cada dia mais exigente, um produto final muito poético! LR

Mais um belo concerto com a voz maravilhosa de Juli Mariano! Eu vou!


"Amor assim tão grande" de Miriam Halfim inaugura Teatro na Hebraica-Rio

A leitura da peça "Amor assim tão grande", de autoria da querida escritora Miriam Halfim reinaugura o Teatro da Hebraica-Rio. A realizar no dia 30 de maio, às 17 horas! O elenco conta com membros do TIC: Gilberto Marmoroch José), Clarita Paskin (Marta), Fernando Reski (Henrique), Luba Frankental (Helena) e Alexandre Manfredini (Adolfo), além de atores convidados: Mariana Guimarães (Stella) e Pedro Nunes (Manolo/Menasze). Ana Bentes, presidente do TIC, lerá as rubricas. Segundo a autora, a peça é uma comédia que faz rir e emociona.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Adília Lopes, como poetar é tão fácil...

[FOTO:LR]
«porque tenho eu / frieiras se nunca tiro as luvas? / porque tenho eu arranhões / se os meus gatos são meigos? / como dizia uma pobre rapariga / que era criada e mal sabia ler / também eu vou dizer / coração partido / pé dormente / vou para a cama / que estou doente / porque me traíste tanto / se os meus gatos são meigos?... / porque me traíste tanto / se eu nunca tiro as luvas?»_adília lopes (A NAIFA)
Esse poeminha é sem dúvida um docinho para quem gosta de palavras simples. Para quê saber mil verbos, mil teorias e paradigmas quando se esquece da vida simplificada pelo gostar e não gostar. É mais tranquilo.
Um dia li um desses poemas dessa bela poeta para uma platéia de cabeças brancas muito eruditas. Era o lançamento do livro pela editora e eu e outro ator tivemos o prazer de o lançar pela nossa voz e interpretação.
O livro juntava poetas e poemas ditos "lado B" mas era de uma graciosidade na leitura e nas gravuras pintadas que lhe era merecido aquele encadernamento tão fino. Eu já amava aquele livro só por o ter na mão e poder oferecê-lo àquela platéia pela minha palavra e minha elocução. Viajei naqueles poemas simples e belos como eu os via. Esses eventos em Portugal são regados a Vinho do Porto e doçaria fina do norte. No meio de uma ou duas taças vem uma cabeça branca convalescente mas bem simpática comentar comigo que eu havia feito o milagre da multiplicação dos pães porque aquele que era dado no livro era um pãozinho bem mirrado sem fermento em tabuleiro de prata! Minha opinião e admiração por aquela poesia não mudou, amo os poetas. Alguns estavam por lá e eu corri, como adolescente louca, a pedir seus autógrafos. Esse livro fica guardado numa estante farta que minha mãe vela por mim. LR

segunda-feira, 3 de maio de 2010

" O Cirquinho de Luísa" em Petrópolis

LOCAL: Theatro Dom Pedro
DIA: 08 de Maio
HORÁRIOS: sábado: 14h, 15h, 16h
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: de 6 meses a 6 anos
INFORMAÇÕES: 24 2235-3833
ENDEREÇO: Praça Expedicionários, s/nº – Centro Telefone: 24 2235-3833 /
RESERVAS: (24) 2237-9424 / (24) 7811-5939

sábado, 1 de maio de 2010

Rosas para Maria Gil

E ele veio buscá-la. Também me lembro bem dela, lembro da imagem de mulher vivida, austera e meiga o quanto baste. Lembro-me da cozinha cheia de lenha para o borralho e dos mochos de tronco maciço de madeira espalhados pelo cómodo para as visitas se acomodarem. Na Páscoa tinha sempre para oferecer um folar ou umas amêndoas. Ela era o pilar e os alicerces, era quem sustentava a casa para que o velho Rosa pudesse guardar seus tostões - isso diziam as bocas do povo. Meu pai tem os olhos dela, bem escuros e um tanto-quanto tristes.
Vivia conforme a vida podia, imagino que em moça sonhasse com belos vestidos, com casas fartas. A sua era humilde mas calorosa e tinha sempre alguma coisa na fogueira a ferver. Dos factos, rodeada de filhos, três filhas mulheres e dois filhos homens, um se perdeu de vista para os lados da França, o outro se isolou desde cedo no seu mundo particular e restaram as três que, como mulheres efectivamente, sempre deram mais valor à progenitora guerreira.
Ele se foi no dia 8, ela se foi no dia 26, entre as duas idas vão apenas 18 dias. Para quem crê, ele foi primeiro e veio buscá-la depois, para a libertar da convalescência. Assim dizem, os que crêem, que os mortos voltam para buscar as pendências. Por outro lado, ela pode também ter esperado o limite dele para poder descansar. Um estava dependente do outro e esse vínculo era muito profundo. Quando a vi pela última vez, cativa do sono, ela respondia quando o velhinho Rosa gritava o seu nome. Não se sabe por que artes caiu numa cama assim de uma vez, como foi, desde quando e porquê...apenas que estava doente e foi ficando e foi se entregando inerte àqueles anos... e anos de convalescência. Ali foi ficando e foi envelhecendo mais ainda, velada sob o olhar cuidadoso do velhinho Rosa. Afinal Shakespeare não escrevia apenas mitos, toda a história de amor tem um fundo real e atemporal.
Marias portuguesas sempre foram mulheres fortes e austeras. Se eu pudesse compará-la com a minha outra avó que nem conheci (em comum o nome Maria) lhes dedicaria uma música de Zeca Afonso que tem tudo a ver com elas:
"As sete mulheres do Minho, as sete mulheres do Minho
Mulheres de grande valor, mulheres de grande valor
Armadas de fuso e roca, armadas de fuso e roca
Correram com o regador, correram com o regador
Que da foice fez espada, que da foice fez espada
Há-de ter na lusa história, há-de ter na lusa história
Uma página doirada, uma página doirada
Viva a Maria da Fonte, viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão, com as pistolas na mão
Para matar os cabrais, para matar os cabrais
Que são falsos à nação, que são falsos à nação."

Deus a tenha e não será esquecida! Mais uma vez eu e meus irmãos ficámos esquecidos, ninguém nos avisou a tempo de nos despedirmos dos nossos avós! Ninguém se lembrou que somos netos. Eu nem podia ir me despedir porque me encontro exilada neste trópico, mas meus irmãos poderiam prestar a última homenagem por mim. Deixar um beijo, um abraço, uma lágrima que fosse.
E assim foi, em Abril, juntos e de mão dada, se libertaram os veios fortes das velhas raízes da nossa árvore genealógica paterna e partiram para um lugar melhor. Olham por nós de lá de cima.