quarta-feira, 14 de abril de 2010

"O Cirquinho de Luísa" na sua última semana de apresentações no Teatro Cândido Mendes!



A temporada d`"O Cirquinho de Luísa" está no fim. Esse final de semana (dias 17 e 18 de Abril, às 15 horas) serão as últimas apresentações da temporada no Teatro Cândido Mendes que começou em Outubro de 2009.
Depois nossa tendinha viaja para Petrópolis e outras cidades e estados brasileiros. Em Maio estamos de volta com "O Bebê e o Mar" que tem sua data de estréia marcada para o dia 15 de Maio de 2010. Lembrando que o Teatro Cândido Mendes é situado na R. Joana Angélica, em Ipanema. Informações: 2267-7295 ou pelos celulares da produção 8881-1526 / 9252-5837.

O velho Rosa centenário

Parabéns, avô, pelos 100 anos. Era este ano o prazo para as 100 velinhas mas o velhinho não quis mais esperar e partiu dias antes...
Já me lembro dele velho. Vinha empoleirado numa bicicleta que era seu principal meio de transporte, com ela rodava quilómetros. Tinha também uma bela charrete de burros que lhe valia para dar conta de todos os pedacinhos de terra. Morava no centro de Quiaios, numa ruelinha bem movimentada cheia de casinhas coladas umas nas outras. Conhecido como Zé Rosa e só, sem outros nomes ou apelidos e casado com Maria Gil, também sem outros nomes. Chegava na Gestinha de bicicleta, queria saber dos netos, do filho perdido por alhures e nos trazia sempre qualquer coisa que fosse para os 3. Também me lembro das cabras, eram muitas e depois de servirem de banquete, em Quiaios viravam um sumptuoso tapete. Assim eram ornadas as casas com tapetes e também com os chifres.
Lembro do seu linguajar com as cabras e com os burros. Às vezes parecia que falava a língua dos bichos e o seu próprio sotaque adquiria aquele vibrato dos sons desses animais que ele lidava. Isso quando conversava connosco. (Quem conhece a recolha de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, entende do que falo.)
Quando sorria era o meu pai chapado, que por sua vez é meu irmão chapado. Quase se adivinha como o velho era em novo. A última vez que o vi, há uns anos, ainda andava de bicicleta e fazia ginástica diária! Não era uma bicicleta qualquer, era uma bicicleta estática adaptada, era um instrumento moderno mas de spinning do seu tempo: as rodas não chegavam ao chão, flutuavam num adaptador em madeira. Devia ser assim em 1910. A ginástica era feita num corrimão onde se estirava. Todos os dias o velhinho de quase 100 cumpria essa rotina e ainda cuidava de sua esposa há anos deitada no seu leito em "sono profundo". Exemplificou-nos como conversava com a velhinha, como cuidava dela com a dedicação de um eterno Romeu que não se deixou envenenar mas velou sua Julieta até às suas últimas. Na minha cabeça ele iria esperá-la para se despedir, infelizmente esperou demais e ela resolveu resistir mais tempo. Esse homem sim, pode se vangloriar de missão cumprida! Chegou nos três dígitos e ainda cumpriu sua love story até ao fim do seu fim.
Contam-se mais de uma dezena de netos e outra dezena de bisnetos contando com a minha que conheceria este ano. Havia a lenda de que o velhinho guardava muitos marréis e escudos no colchão e era sabido que seu filho fazia fogueiras com suas roupas. Cousas e lousas! Deus o tenha.

PS: Obrigada pelas rosas no nome! Uma herança bonita que o velhinho nos deixou. Eu e meus irmãos formamos um bouquet! (rs)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Critica de Ricardo Schöpke no Jornal do Brasil ao espetáculo "O Cirquinho de Luísa"


"DIVERSÃO DESDE O BERÇO", Jornal do Brasil.
Ricardo Schöpke

"O teatro para bebês vem sendo desenvolvido há alguns anos na Europa. Tendo como um de seus mais importantes realizadores na Espanha o grupo La Casa Incierta e outras importantes companhias na Alemanha, Itália, Portugal e França. Os espetáculos abordam temáticas variadas, não necessariamente de forma educativa ou didática, mas tendo como princípio básico a exploração dos cinco sentidos, respeitando também o princípio de que o teatro para as crianças (neste caso, para os bebês) não deve ser melhor ou pior do que o feito para adultos, apenas diferente. A criança tem todos os seus canais abertos para receber estímulos de formas variadas. No teatro para a primeira infância os campos da visão e da audição são dois dos sentidos que mais devem ser desenvolvidos, ficando claro que isto não constitui uma regra a ser seguida, ou que é sugerida como uma receita infalível de bolo.O imagético é um dos principais meios de comunicação com este delicado público em formação. Desta maneira, o teatro para bebês tem buscado apresentar elementos como imagens geométricas, movimentos corporais, variada gama de cores, e objetos de diferentes tamanhos e dimensões (2D, 3D). O campo da audição também é um dos pontos mais importantes do teatro para a infância, colaborando para um crescimento significativo da lógica e da sensibilidade ao belo e ao sublime.O cirquinho de Luísaé um dos primeiros espetáculos de teatro para bebês apresentado na cena carioca. Desenvolvido pela atriz e diretora Liliana Rosa, tem como objetivo principal ser um projeto de aprendizagem e partilha entre pais e bebês um meio de introdução da criança no mundo da arte. O tema abordado na peça é o nascimento e ciclo da vida, ativando a memória embrionária e indo de encontro à primeira infância até as nossas raízes e origens, explicando as etapas da vida por associações, analogias e estimulação dos sentidos. Para os pequenos é uma porta aberta para que eles comecem a descobrir novas linguagens. O nome do espetáculo, uma homenagem ao nascimento de Luísa, filha da atriz Liliana Rosa, revela para o público o que foi essencial no desenvolvimento da pesquisa para construção da peça. Após o nascimento dela, foi desenvolvido um laboratório de análise das suas reações a determinados estímulos visuais, sonoros e táteis. Luísa acompanhou todo o desenrolar dos ensaios e da montagem, foi quase como uma consultora artística. Além disso, todo o enredo da peça foi inspirado no seu crescimento.A cenografia da peça é bastante colorida. Um circo com uma pequena lona feita de tiras de tecidos azuis, vermelhos e amarelos, e um pequeno picadeiro onde os pais e as crianças são convidados a sentarem juntos para que possa haver uma inteiração verdadeira entre a atriz e o público. Valendo-se de brinquedos montáveis e desmontáveis, a atriz Liliana Rosa apresenta para as crianças de onde elas vêm. Todo o trabalho é bastante lúdico, formativo e informativo. A direção musical também é adequada, apresentando sons incidentais de crianças rindo. A ampliação deste efeito possibilita uma ambientação agradável e ajuda a acalmar os ânimos dos miudinhos. Liliana Rosa conduz o espetáculo com bastante propriedade, mostrando-se familiarizada com o universo materno, e com a linguagem apropriada para alcançar a atenção de crianças tão pequeninas. Liliana fala baixo, de forma pausada, articulando bem as palavras.Apresenta às crianças o dia, a noite e os animais, e usa o tato para aguçar a criatividade.Água, bolinhas de sabão e pequenos brinquedos servem de modelo.Importante ressaltar que no caso da linha de atuação adotada pela direção, que busca ensinar e apresentar as novidades para as crianças, é preciso tomar cuidado com as associações. No início da peça, a atriz apresenta um sapatinho vermelho como sendo a Luísa e ao final apresenta um cachorrinho, que depois ela veste com o sapatinho vermelho (símbolo da Luísa). Isso confunde algumas crianças que associam o cachorro à própria personagem. Ou seja, é preciso que nada passe despercebido na transmissão das idéias para este público em constante formação." Jornal do Brasil, Sábado, 27 de Março de 2010.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Páscoa com Cirquinho de Luísa no Teatro Cândido Mendes!


Estaremos apresentando "O Cirquinho de Luísa" no final de semana de Páscoa! Quer ver de onde sai o coelhinho do nosso cirquinho? Quer saber se rola ovo? Então venha nos assistir e traga a criançada! Sábado e domingo de Páscoa, 15 horas no Teatro Cândido Mendes, Ipanema.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Final de semana tem Cirquinho de Luísa!

(Foto: "O Cirquinho de Luísa" no Teatro Cândido Mendes)

Já não sabemos como é não fazer o Cirquinho de Luísa no final de semana. É uma rotina deliciosa. Sempre antecede um pulinho na praia de Ipanema, um rolar na areia, uma água de côco bem gelada, uma caminhada pela orla. Depois Cirquinho, faça sol ou faça chuva lá estamos marcando o ponto das 15 horas. É sempre uma festa, os bebês trazem suas famílias e comungam connosco um momento único de risadas, balbuciares e gritinhos de alegria e animação. Ficamos muito felizes. Como final de semana significa Cirquinho de Luísa, estaremos nos apresentando sem paragens até dia 18 de abril. Depois retornamos em Maio com "O Bebê e o Mar" numa montagem bem divertida e renovada! Informações pelos telefones: (21) 8459-5006 / (21) 88811526.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Cirquinho de Luísa em cartaz até abril! Mês das Mães em Petrópolis.


O espetáculo "O Cirquinho de Luísa" está em cartaz até ao mês de Abril no Teatro Cândido Mendes em Ipanema às 15 horas. Em Maio parte para Petrópolis para festejar o Mês das Mães.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Edição de 10 de Agosto de 2001 do jornal O Figueirense

Acabo de achar uma entrevista de um jornal da terrinha, a chamada é bem simpática: "E na Figueira da Foz nasceu uma actriz "

"Actriz acima de tudo, mas também dramaturga e encenadora. Mulher. Ama o teatro na mesma medida em que faz parte dele, e isto significará completamente. Tem apenas 20 anos e por trás de uns olhos azuis e de uma timidez que desarma, esconde-se a força capaz de ter levado a bom termo a produção, encenação e representação de uma peça da sua autoria. “Homem Arbore” é , entre muitas outras coisas, uma ode à sua terra, às suas raízes, ao seu passado-presente: Gestinha, localidade do concelho da Figueira da Foz, lugar onde semi-vive, de onde partia para Buarcos para assistir às revistas no “Caras-Direitas”. Memórias de sempre e para sempre gravadas na pele de Liliana Rosa. A actriz. A encenadora. A dramaturga. A mulher. “A partir da árvore são redigidos os Mandamentos do Senhor” *, escreve Liliana. E quais serão os teus mandamentos, Liliana?
Ser actriz
Como é uma actriz? Representará sempre, viverá como se estivesse constantemente num palco, em permanente metamorfose? Tratando-se de Liliana Rosa, eu diria que não. E voltaria a negá-lo. Quando se fala com alguém para quem o teatro é a sua vida, não se pode fazer as perguntas de sempre, cair no banal, poque imediatamente somos levados para o plano dos sentidos, os mesmos que Liliana Rosa afirma promover. Foi parar ao teatro “por acaso”, ainda que a lembrança das revistas que assistia em miúda há muito lhe tivessem despertado o gosto pelo palco. Com apenas 14 anos, soube que o Teatro do Morcego – Laboratório Oficina (de Coimbra) iria realizar um Curso de Formação Profissional na Figueira da Foz. Inscreveu-se e esses quatro meses marcaram-lhe a sina. Definitivamente. Quando o curso acabou, ela e mais quatro pessoas que haviam frequentado o curso, decidiram fazer viver um novo projecto, deles, construído à medida do que se aprende, do que se vai sentindo. Chamava-se “Teatro Anu”, porque o palco era a Figueira, e Anu é um deus mitológico ligado ao mar. O mesmo que vive no olhar de Liliana.
“A essência do teatro está no próprio actor”
Depois, foi a escalada. Diz gostar de “explorar a fisicalidade no teatro”, e por isso ama a dança, o gesto, o movimento. O sair de si, abrir os braços, qual Homem Arbore, e explorar os ramos-braços, girar constantemente, imprimir sentido e vento à voz. Diz que o teatro que gosta de fazer vive mais do movimento das palavras. Porque a voz distrai e o movimento cativa. Fica. E, não obstante a sua timidez, é no palco que se sente bem, quando “tem toda a gente” a olhar para ela e sabe que estão ali por sua causa. Como se tivesse encontrado o seu lugar no mundo.
Teve aulas de dança contemporânea com Ana Borges e depois partiu para Coimbra, para ingressar num Curso Livre de Teatro da Escola Superior de Educação de Coimbra. Fez um pouco de tudo, tarbalhou até no Arquivo da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Um Verão inteiro a organizar jornais, a conhecer gentes de antes, a procurar essências. Talvez tudo o que procura se resuma a isso. À essência do teatro, que acredita encontrar-se no fundo do próprio actor.
“Homem Arbore”
Sempre escreveu. Poemas. “Homem Arbore”, a peça que esteve em cena no mês de Julho no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra, é um filho seu. É o seu sangue e as suas entranhas. O texto, esse, há muito tempo que o foi gotejando (inclui versos que escreveu há seis anos atrás). Porque gosta de parar, reescrever, descobrir exactamente aquilo que quer dizer. Porque é actriz, sabe que não se pode mentir, quando se trata de chamar as coisas pelos nomes, e muito menos quando as palavras são dela, e dizem coisas dela, e são também a sua história. Durante um mês e meio fechou-se numa sala sozinha e ensaiou, representou para o nada, descreveu gestos no ar e foi compondo o seu monólogo. Só dela. Como tinha de ser. Acabou por se converter numa produtora, encenadora e actriz, muitas coisas numa só pessoa.
Prometeu apresentar a peça no dia marcado e apresentou.
Á parte o “Homem Arbore”, fez também parte do elenco de “Nostrum Lenz”, que esteve também em cena no TAGV, do Teatro do Morcego, para o qual entrou em 2000.
E a fórmula para ser actriz, onde está? Não existe fórmula, diz Liliana, para quem qualquer pessoa é um potencial actor. “É preciso muito trabalho e dedicação, não tem a ver com talento”. Quase que acredito.
“O teatro na Figueira não existe”
Agora, reparte os seus dias pelo Porto, onde frequenta o Curso de Teatro-Interpretação na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, por Coimbra e pela Figueira da Foz. Tem pena que actualmente o teatro, na terra que a viu nascer, esteja reduzido ao nada. Lembra-se que houve tempos em quem esta arte estava representada, e bem, na Figueira. Lembra-se das sessões no “Caras-Direitas” e de existirem pessoas com talento e de existir realmente Teatro. Na sua opinião, “dinamizou-se muito o turismo, e equeceram-se outras coisas”, imprescíndiveis. Por não existir, por exemplo, “iniciativa da Câmara”, as pessoas acabam por ir-se embora, procurar espaços onde possam realmente trabalhar, e depois as pessoas desabituaram-se de assistir a peças de teatro, porque público, “esse existe”, diz convicta.
“Havia a tradição das revistas, e os populares, muitos, assistiam sempre”, diz Liliana, que vê agora o teatro ser frequentado por uma “elite”, tendo-se caído numa situação em que tudo funciona por convites, quase não existindo bilhetes. E depois, os jovens também partem da Figueira, para estudar ou à procura de coisas que a Figueira ainda não tem, ou que já teve e esqueceu, como o teatro.
Representar na Figueira da Foz
A nível geral, em Portugal, Liliana critica a pouca divulgação que o teatro tem, e afirma que “existem poucos subsídios, não há dinheiro suficiente para o teatro”. Prova disso é a sua própria experiência no Teatro do Morcego. Pediram ao Instituto Português das Artes do Espectáculo 6 mil contos, para duas peças, e receberam 4000 contos, referentes a uma única peça. Resolveram fazer as duas. “Com esforço, tudo se consegue”, diz Liliana, mas mesmo assim lamenta o fraco apoio que existe para a arte em Portugal. “Temos criadores em Portugal que vão para o estrangeiro, ou decidem fazer outras coisas, porque aqui não há iniciativa”, afirma Liliana. E depois, acrescenta, “nas próprias Escolas Secundárias, são poucas as que têm cadeiras de Teatro ou Expressão Dramática”, e tudo isso contribui para o esmorecimento do teatro.
Um das coisas que gostaria de fazer era representar para a sua terra, para a Figueira da Foz. Diz já ter feito contactos, e estar à espera de respostas. É que o azul dos seus olhos tem muito deste mar: uma aparência calma, mas uma rebeldia latente. Liliana Rosa escolheu ser actriz, e o destino quis que o fosse: já.
*in “Homem Arbore”, de Liliana Rosa
Jornalista: Paula Ferreira
Sem superstições...
Uma actriz – “são muitas, não consigo escolher só uma”. Maria do Céu Guerra
Uma peça – “After Sun, do Teatro La Carniceria. Vi-os no Citemor e gostei, porque é parecido com o teatro que nós fazemos, que é um teatro físico, com muita expressão”.
Uma superstição – “Estar calma antes de entrar em palco, estar concentrada. Superstição mesmo, acho que não tenho nenhuma... talvez beber água”.
Uma sensação em palco – “Sinto o sangue a ferver. É bom ser o centro das atenções, saber que está toda a gente ali só para me ver”.
Um medo – “Tem de afastar-se os medos. Só o medo de ficar doente e não poder seguir a vida que planeei, a linha de trabalho que projectei”.
Estraído do site: http://www.ofigueirense.com/10agosto2001/conversa/default.htm