Ilha de David Mourão-Ferreira
"Deitada és uma ilha. E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias"
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Mãos à obra life is sweet
Ergo os braços e fico a contemplá-los e ao visualizar cada pormenor do movimento deles, "chamo por meus músculos", apelo ao bom desempenho de uma obra prima ou apenas um fazer bem e com prazer. Tudo o que prima por ser obra se torma numa: Mãos à obra e esquece o que resta.
Hoje me pareceu que conseguiria alcançar a plenitude das coisas, que seria maior que tudo mas meu corpo me trai, meus sentidos me lembram que preciso parar e pensar. Por mais que a vida se mostre doce para mim, eu ainda a quero mais doce e mais plena e mais viva e mais próxima...e sempre a quero assim com aromas de mel e cerejas frescas. La dolce vita, um life is sweet. Se dito assim fica até cômico: o que é doce nunca amargou.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Miscelando ideias e vinhos verdes
"Ninguém na rua, na noite fria, só eu e o luar
Voltava a casa,quando vi que havia
luz num velho bar
Não hesitei, fazia frio e nele entrei
Estando tão longe da minha terra,
tive a sensação
de ter entrado numa taberna
de Braga ou Monção
E um homem velho
se acercou e assim falou
Vamos brindar
com vinho verde que é do meu Portugal
e o vinho verde me fará recordar
A aldeia branca que deixei
atras do mar
Vamos brindar
com verde vinho pra que eu possa cantar
Canções do Minho que me fazem sonhar
com o momento de voltar ao lar."
(Canção Popular)
sábado, 16 de janeiro de 2010
Gótico: Life less ordinary? Beck no meu ouvido.
"on a highway unpaved
goin' my way
you're so alone today
like a ghost town I've found
there's no relief
no soul
no mercy
is it true what they say
you can't behave
you gamble your soul away
measuring a jinx of this life seems like the gristle of loneliness
don't let the sun catch you cryin'
don't let the sun catch you cryin'
like an ice age
nice days on your way
sipping the golden days
on a riptide
freak's ride
sleep inside
a parasite's appetite
oh say can't you see
the chemistry
the parasites that clean up for me
death never hails
recycled cans
get well cards
to the hostage vans
don't let the sun catch you cryin'
don't let the sun catch you cryin'
you're a deadweight
right straight
on your way
sunk in the midnight shade
skys burn
eyes turn
learning to counterfeit their disease
in this town where we roam
we bluff our souls
on canteen patio
drink the latest draft
the music drags
don't let the sun catch you cryin'
don't let the sun catch you cryin' " Beck sempre
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Tragédia após tragédia e as leituras noturnas
De dia as leituras são sempre "Desastre" na Folha, essas tragédias do dia que nos deixam de rastos, impotentes. Tragédia após tragédia, nos valham as leituras noturnas, um pouco de caridade e compaixão pelos que ficam. Alguma vontade nossa em mudar nossos hábitos e egoismos. Podemos sempre mudar alguma coisa se tivermos grandeza de espírito suficiente.
De noite e no escuro, assolados por uma certa paz fictícia, podemos ler de tudo e esquecer o dia. Por isso é que os poetas, os góticos e os gatos pardos sempre preferiram a noite, por ser mais longa, por ser escura, por ofuscar o que o pensamento não quer ver.
Entre as coisas mais bizarras que vou lendo e levando na retina ao longo do dia, passo a vista por anúncios, publicidade, imagens, fotos, cores. As pernas doem de tanto andar de um lado para o outro, sempre algo a fazer de pé. Do que vou lendo, quero ver nisso a solução, o que possa resolver, como se fosse um prenúncio de algo, um insólito e assim vai.
À noite consigo ler Assim falava Zaratustra que é sem dúvida uma incógnita quando fala da mulher. Góticos já riam ao notar que ele "falava" num passado, numa tradução portuguesa antiquada como o próprio gótico. Conjugado assim num pretérito imperfeito e como a opinião do velho Zaratustra. Lendo também "A linguagem é um apartamento alugado" de um tal de Zozimo sobre Roland Barthes, aquele que escreve sobre retórica e amor. Um tônico para amantes e desamantes...Ainda lendo uma Elle de 1954 e tomando um Whisky 10 anos para relaxar. Não gosto de Whisky nem leio a Elle. Seria perfeito mas não é real, o real é outro. E continuo a ser também antiquada (nunca gótica) em certas questões mas isso rende um novo post posterior a este. Sempre entre linhas, o que é trágico.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
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