quarta-feira, 26 de maio de 2010

Adília Lopes, como poetar é tão fácil...

[FOTO:LR]
«porque tenho eu / frieiras se nunca tiro as luvas? / porque tenho eu arranhões / se os meus gatos são meigos? / como dizia uma pobre rapariga / que era criada e mal sabia ler / também eu vou dizer / coração partido / pé dormente / vou para a cama / que estou doente / porque me traíste tanto / se os meus gatos são meigos?... / porque me traíste tanto / se eu nunca tiro as luvas?»_adília lopes (A NAIFA)
Esse poeminha é sem dúvida um docinho para quem gosta de palavras simples. Para quê saber mil verbos, mil teorias e paradigmas quando se esquece da vida simplificada pelo gostar e não gostar. É mais tranquilo.
Um dia li um desses poemas dessa bela poeta para uma platéia de cabeças brancas muito eruditas. Era o lançamento do livro pela editora e eu e outro ator tivemos o prazer de o lançar pela nossa voz e interpretação.
O livro juntava poetas e poemas ditos "lado B" mas era de uma graciosidade na leitura e nas gravuras pintadas que lhe era merecido aquele encadernamento tão fino. Eu já amava aquele livro só por o ter na mão e poder oferecê-lo àquela platéia pela minha palavra e minha elocução. Viajei naqueles poemas simples e belos como eu os via. Esses eventos em Portugal são regados a Vinho do Porto e doçaria fina do norte. No meio de uma ou duas taças vem uma cabeça branca convalescente mas bem simpática comentar comigo que eu havia feito o milagre da multiplicação dos pães porque aquele que era dado no livro era um pãozinho bem mirrado sem fermento em tabuleiro de prata! Minha opinião e admiração por aquela poesia não mudou, amo os poetas. Alguns estavam por lá e eu corri, como adolescente louca, a pedir seus autógrafos. Esse livro fica guardado numa estante farta que minha mãe vela por mim. LR

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